segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Prefiro a razão do que a vida.
Sério como me irrita e me impressiona a incapacidade tão grande das pessoas de se importarem com o outro. Se traz o mínimo de desconforto deixa-se de ajudar.
Na cabeça dessas pessoas é ilógico ajudar o outro, se já está bem e teria que sair da zona de conforto... "O outro que se vire, não posso fazer nada". E me refiro às pequenas coisas do dia a dia.
A questão aqui não é ser bonzinho, moralismo, mas simplesmente ter o básico de sabedoria, de educação, de amor. Afinal, como posso não me incomodar de ver a pessoa do lado precisando de ajuda?!
Estou longe de ser o exemplo de caridade, mas sei que a lei da indiferença não vai ter parte comigo, nunca.
Aprendi com Jesus que é preferível ter dificuldade por se importar demais do que ser 'néscio e duro de coração'.
Não quero perder a razão pra ganhar a vida.
domingo, 17 de novembro de 2013
A força e a imperfeição
No meu dia a dia parece que não há escolha além da excelência. Dizem aos quatro cantos este conto:
"Faça pra ele o seu melhor, por que é isso que ele quer e nada além disso. Afinal, ele é de todo excelente e exige de nós o mesmo."
O jugo suave e o fardo leve tornam-se pueira pros pés.
E eu que não tenho a sede de ser esse vencedor? E eu que não tenho vocação pra esse tal de 1° lugar?? E eu que não engulo por nada no mundo, que o mundo todo, pode e deve ser meu???
Quem não perde não ganha o consolo que vem depois de chorar.
Sigo certo de que devo mudar o meu mundo dentro de mim. E isso já é desafio suficiente - lembre que ninguém tem dois Golias por dia.
A única angústia maior do que a da Síndrome do Invencível, é saber que a derrota mora dentro de mim, não importa quanto eu lute, não importa quanto eu tente, quanto eu grite, o pódio da vitória de mim mesmo nunca pode acontecer por completo. Agora, mas ainda não.
Mas ele acalenta ao coração, por que o dom ele usa, mas é o imperfeito que ele trata com mais carinho.
Não vou entender isso enquanto pra mim, o mais capaz for o mesmo do conto dos cantos do mundo, onde o fazer é melhor que o ser.
Na verdade, o ignóbil é o seu herói.
A fraqueza é sua maior arma pra perfeição.
Se torna mais forte pra Ele quando se reconhece as fraquezas.
Eu sei, é difícil entender.
Deus escolheu os defeituosos pra mostrar a Sua perfeição!
"Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens."
E nem posso ser perfeito, por que minha imperfeição tem uma missão, a de fazer com que nenhum mortal se glorie na presença de Deus. Não posso ser, agora, todo feito pois eu e minha imperfeição somos dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.
É da natureza humana temer o escuro, mas por fé e não por vista, eu salto. "Me torno um vencedor, sendo que eu sempre fui o segundo em tudo que eu vivi", mesmo sem entender.
Soli Deo Gloria
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Igreja Evangélica do Muro de Dois Metros - Parte 02
Clique aqui para ler a Parte 01
E o trabalho continua no sábado.
Ouço daqui da construção os choros vindos da Igreja
Evangélica do Muro de Dois Metros. Não espere... agora é grito de Aleluia, ‘uma
geração que dança’.
Ouço um “quase sempre”:
Falando de um tal de filho pródigo.
Debaixo desse Sol escaldante beberia até da água da piscina
lá da Igreja dos crentes.
- Zé, qual vai ser o nome dessa paróquia?
- Sei não professor.
-Podia ser São Francisco de Assis.
O Professor começou a destilar seu conhecimento, nem olhou
pra baixo pra não perder o fôlego:
- São Francisco de Assis nasceu em Assis, na Itália no século
XII, e fez votos de pobreza. Diz que um dia,
junto de seus seguidores numa noite fria, os dedos doíam e o corpo já debilitado,
afinal fazia anos que tinha feito seu voto de pobreza. Viu na calçada um mendigo
que ao perceber que eram Franciscanos saiu a correr em sua direção pra pedir
ajuda. Eles não tinham mais nada, então Francisco de Assis, retirou o que lhe
restava, sua roupa para frio e deu ao mendigo.
Logo mais na frente, Francisco de Assis caiu de joelhos no
chão e aos berros chorava, os seus discípulos perguntaram o motivo e ele
respondeu: Maldito homem que sou, eu me orgulhei da bondade que fiz àquele
homem! - Bom exemplo né professor?- É sim Zé, povo devia seguir esse exemplo. Mas termina logo
o trabalho senão a gente não te paga tua diária.- Sim senhor.
Enquanto isso o barulho das vozes de microfone, vindo de
trás do muro da Igreja Evangélica do Muro de Dois Metros, é substituído pelo
som dos carros.
Seus carros atrapalham o tráfego.
Só não entendi o filho do professor. É crente mas saiu
cabisbaixo!
Ficou no chão feito cristão tímido.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
O “enquanto” vale a pena - Reflexão sobre 'O livro mais mal-humorado da Bíblia'
O “enquanto” vale a pena
“Todo o
conhecimento verdadeiro sobre si mesmo começa com um profundo entristecimento.” Kierkegaard
Lembro-me bem de uma entrevista com Ziel Machado, pastor
e historiador envolvido com o trabalho missionário da ABU, que ao ser questionado
sobre a juventude atual afirmou que “a natureza das perguntas que se fazem hoje
são diferentes, perguntas mais de cunho existencial”, e dizia que “acredito que
o livro mais adequado para esse mundo dos jovens seria o livro de Eclesiastes”,
recordo-me logo do meu livro de cabeceira “O livro mais mal-humorado da Bíblia
– A acidez da vida e a sabedoria do Eclesiastes” de Ed René Kivitz.
Tive o privilégio de no início de minha vida cristã, em
uma livraria de supermercado em meio a tantos livros de qualidade questionável,
encontrei literatura de um escritor que mal conhecia mas, que trazia um
conteúdo tão importante a respeito do que carregava comigo. Foi o suficiente
para Deus.
O livro, que é um conjunto de mensagens feito pelo pastor
Ed René na Igreja em que pastoreia, foi motivado inicialmente por uma ácida
pergunta feita por uma jovem ao pastor batista:“O que é a vida senão uma sucessão de fatos sem sentido?”, pergunta feita um dia por mim e com
certeza por você também.
A “resposta” para a pergunta é feita com base em uma longa e profunda viajem pelo livro de Eclesiastes. É bem verdade que ‘’as palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém’’ (Ec 1:1), ou como dizia o ótimo tradutor Haroldo de Campos: “O que sabe”, traz talvez mais perguntas que respostas, além de frases bem mal-humoradas, sendo as palavras-chaves do livro bíblico “vaidade”, “trabalho” e “debaixo do sol”.
Ed René escreve (com rara habilidade de organização de pensamentos) sob a ótica do Eclesiastes, de assuntos do cotidiano e/ou temas densos como tédio, morte, religião, dinheiro, tempo e ausência de sentido, entre outros.
O livro, assim como o Eclesiastes é para
aqueles que têm certeza do que creem e ao mesmo tempo para aqueles que de nada
tem certeza quanto às suas crenças, vi isso na prática.
Pensar dói, e tentar fazer entender a si mesmo que a vida
mesmo parecendo sem propósito e sem objetivos ou até mesmo injusta é possível
vivê-la sem amargura, não é tarefa nada fácil.
Mas há um caminho, uma saída, uma Verdade, aonde com
sabedoria vinda de Deus, e de Jesus o Cristo ‘posso e esforço-me para que seja fortalecido meu coração,
estando unido em amor, alcance toda a riqueza do pleno entendimento, a fim de
conhecer plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo. Nele estão escondidos
todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento’ (cf. Colossenses 2:2-3).
A vida pode ser ácida mas, não precisa ser amarga, pois
bem sei que a vida ainda vale a pena.
[Texto publicado originalmente em no Boletim Literário da ABU Norteando - Aliança Bíblica Universitária - Região Norte http://issuu.com/luanatorres5/ docs/ boletim_04_-_issuu?e=4300216%2F 5267625]
IGREJA EVANGÉLICA DO MURO DE DOIS METROS - Parte 01
IGREJA EVANGÉLICA DO MURO DE DOIS METROS - Part. 01
Perto da minha casa tem uma Igreja dos crentes, a “Igreja Evangélica
do Muro de Dois Metros”. Esse não é o nome dela de verdade mesmo, mas como eu não
sei o nome dela é assim que eu a chamo.
O nome que eu dei pra ela vem por causa de que o prédio é
totalmente rodeado por um enorme muro de mais ou menos 2,5 metros de altura,
mas por comodidade eu chão de 2 metros mesmo. Oxente, acho que posso, afinal
tenho intimidade suficiente, sou vizinho da igreja.
Lá, todo final de semana, é lotada de pessoas.
Não conheço ninguém que congrega nela, mas até sinto que
conheço, pois passo o final de semana, daqui de casa, ouvindo as vozes daquelas
gentes. Mas são sem rostos, só bocas.
Eles vêm, enchem o Templo. Exclamam! Vão embora.
Sempre preparo um cafézinho pra eles, mas o café sempre
acaba esfriando.
Eu não sei de quase nada do que acontece lá. Só sei que eles
exclamam muito, às vezes coisas sem lógica (problema é que esse “às vezes” está
cada dia mais “quase sempre”).
- Bora
Zé, bota o tijolo!
Deixa eu voltar aqui, é que nós da comunidade tamo
construindo a paróquia aqui na rua e temos que terminar hoje o teto, é que vai
ter de noite um leilão e vai estar todo mundo. Depois eu conto mais da Igreja
Evangélica do Muro Dois Metros.
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