Páginas

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O “enquanto” vale a pena - Reflexão sobre 'O livro mais mal-humorado da Bíblia'

                                                       
                                                       
O “enquanto” vale a pena


Todo o conhecimento verdadeiro sobre si mesmo começa com um profundo entristecimento.”  Kierkegaard

Lembro-me bem de uma entrevista com Ziel Machado, pastor e historiador envolvido com o trabalho missionário da ABU, que ao ser questionado sobre a juventude atual afirmou que “a natureza das perguntas que se fazem hoje são diferentes, perguntas mais de cunho existencial”, e dizia que “acredito que o livro mais adequado para esse mundo dos jovens seria o livro de Eclesiastes”, recordo-me logo do meu livro de cabeceira “O livro mais mal-humorado da Bíblia – A acidez da vida e a sabedoria do Eclesiastes” de Ed René Kivitz.

Tive o privilégio de no início de minha vida cristã, em uma livraria de supermercado em meio a tantos livros de qualidade questionável, encontrei literatura de um escritor que mal conhecia mas, que trazia um conteúdo tão importante a respeito do que carregava comigo. Foi o suficiente para Deus.

O livro, que é um conjunto de mensagens feito pelo pastor Ed René na Igreja em que pastoreia, foi motivado inicialmente por uma ácida pergunta feita por uma jovem ao pastor batista:“O que é a vida senão uma sucessão de fatos sem sentido?”, pergunta feita um dia por mim e com certeza por você também.

A “resposta” para a pergunta é feita com base em uma longa e profunda viajem pelo livro de Eclesiastes. É bem verdade que ‘’as palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém’’ (Ec 1:1), ou como dizia o ótimo tradutor Haroldo de Campos: “O que sabe”, traz talvez mais perguntas que respostas, além de frases bem mal-humoradas, sendo as palavras-chaves do livro bíblico “vaidade”, “trabalho” e “debaixo do sol”.

Ed René escreve (com rara habilidade de organização de pensamentos) sob a ótica do Eclesiastes, de assuntos do cotidiano e/ou temas densos como tédio, morte, religião, dinheiro, tempo e ausência de sentido, entre outros.

O livro, assim como o Eclesiastes é para aqueles que têm certeza do que creem e ao mesmo tempo para aqueles que de nada tem certeza quanto às suas crenças, vi isso na prática.

Pensar dói, e tentar fazer entender a si mesmo que a vida mesmo parecendo sem propósito e sem objetivos ou até mesmo injusta é possível vivê-la sem amargura, não é tarefa nada fácil.

Mas há um caminho, uma saída, uma Verdade, aonde com sabedoria vinda de Deus, e de Jesus o Cristo ‘posso e esforço-me para que seja fortalecido meu coração, estando unido em amor, alcance toda a riqueza do pleno entendimento, a fim de conhecer plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo. Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento’ (cf. Colossenses 2:2-3).

A vida pode ser ácida mas, não precisa ser amarga, pois bem sei que a vida ainda vale a pena.




[Texto publicado originalmente em no Boletim Literário da ABU Norteando - Aliança Bíblica Universitária - Região Norte http://issuu.com/luanatorres5/docs/boletim_04_-_issuu?e=4300216%2F5267625 

Nenhum comentário:

Postar um comentário