O “enquanto” vale a pena
“Todo o
conhecimento verdadeiro sobre si mesmo começa com um profundo entristecimento.” Kierkegaard
Lembro-me bem de uma entrevista com Ziel Machado, pastor
e historiador envolvido com o trabalho missionário da ABU, que ao ser questionado
sobre a juventude atual afirmou que “a natureza das perguntas que se fazem hoje
são diferentes, perguntas mais de cunho existencial”, e dizia que “acredito que
o livro mais adequado para esse mundo dos jovens seria o livro de Eclesiastes”,
recordo-me logo do meu livro de cabeceira “O livro mais mal-humorado da Bíblia
– A acidez da vida e a sabedoria do Eclesiastes” de Ed René Kivitz.
Tive o privilégio de no início de minha vida cristã, em
uma livraria de supermercado em meio a tantos livros de qualidade questionável,
encontrei literatura de um escritor que mal conhecia mas, que trazia um
conteúdo tão importante a respeito do que carregava comigo. Foi o suficiente
para Deus.
O livro, que é um conjunto de mensagens feito pelo pastor
Ed René na Igreja em que pastoreia, foi motivado inicialmente por uma ácida
pergunta feita por uma jovem ao pastor batista:“O que é a vida senão uma sucessão de fatos sem sentido?”, pergunta feita um dia por mim e com
certeza por você também.
A “resposta” para a pergunta é feita com base em uma longa e profunda viajem pelo livro de Eclesiastes. É bem verdade que ‘’as palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém’’ (Ec 1:1), ou como dizia o ótimo tradutor Haroldo de Campos: “O que sabe”, traz talvez mais perguntas que respostas, além de frases bem mal-humoradas, sendo as palavras-chaves do livro bíblico “vaidade”, “trabalho” e “debaixo do sol”.
Ed René escreve (com rara habilidade de organização de pensamentos) sob a ótica do Eclesiastes, de assuntos do cotidiano e/ou temas densos como tédio, morte, religião, dinheiro, tempo e ausência de sentido, entre outros.
O livro, assim como o Eclesiastes é para
aqueles que têm certeza do que creem e ao mesmo tempo para aqueles que de nada
tem certeza quanto às suas crenças, vi isso na prática.
Pensar dói, e tentar fazer entender a si mesmo que a vida
mesmo parecendo sem propósito e sem objetivos ou até mesmo injusta é possível
vivê-la sem amargura, não é tarefa nada fácil.
Mas há um caminho, uma saída, uma Verdade, aonde com
sabedoria vinda de Deus, e de Jesus o Cristo ‘posso e esforço-me para que seja fortalecido meu coração,
estando unido em amor, alcance toda a riqueza do pleno entendimento, a fim de
conhecer plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo. Nele estão escondidos
todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento’ (cf. Colossenses 2:2-3).
A vida pode ser ácida mas, não precisa ser amarga, pois
bem sei que a vida ainda vale a pena.
[Texto publicado originalmente em no Boletim Literário da ABU Norteando - Aliança Bíblica Universitária - Região Norte http://issuu.com/luanatorres5/ docs/ boletim_04_-_issuu?e=4300216%2F 5267625]

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